A Cisma do Oriente

Um dos eventos mais significativos na história das religiões é a dissenção entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Esta dissenção tem um nome: Cisma do Oriente e foi a causadora de sérias disputas e perseguições na Idade das Trevas.

Aqui estudaremos os fatos que levaram a esta briga e tentar entender o motivo das diversas vertentes cristãs não se entenderem (se é que algum dia seremos capazes de entender).

Relembrando – No séc. IV Constantino I, primeiro Imperador de Roma a aceitar o Cristianismo como religião oficial do Império Romano, reuniu no ano 325 E.C., na cidade de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico, que ficou conhecido como 1º Concílio de Nicéia, onde ficou definida a divindade de nosso amigo Jesus Cristo.

As Igrejas Ortodoxas, foram divididas em 5 partes:

Igreja Católica Ortodoxa de Alexandria;

Igreja Católica Ortodoxa de Constantinopla;

Igreja Católica Ortodoxa de Antioquia;

Igreja Católica Ortodoxa de Jerusalém;

Igreja Católica Apostólica Romana;

Ainda foram feitos mais seis concílios antes do cisma das Igrejas Ortodoxas e Romana. São eles:

Constantinopla I (381)

  • Divindade do Espírito Santo, com o ensino da fórmula “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”(Símbolo Niceno-Contantinopolitano).
  • Condenação de Macedônio, bispo de Constantinopla, defendia que o Espírito Santo não era Deus.
  • Divisão das Pentarquias.

Efésio (431)

  • Maternidade Divina de Maria. Sim, até aquela época ninguém tinha se decidido se a gravidez fora divina ou não.
  • Condenação de Nestório que se opôs ao termo “Mãe de Deus”, porque abordava a divindade de Cristo de tal maneira que poderia ofuscar sua natureza humana, além de não aceitar o emprego de imagens, a não ser a cruz.
  • Em Cristo uma Hipóstase, a Divina. Jesus era Deus e pronto, acabou-se!

Calcedônia (451)

  • Dualidade da natureza em Jesus Cristo, reafirmando que ele era homem e deus ao mesmo tempo.
  • Condenação de Eutiques, que ensinava o monofisismo, ou seja, a doutrina que admitia em Jesus Cristo uma única natureza, a divina. Como podem ver, uma hora não sabiam se a natureza de Jay Cee era divina, humana ou ambas. Eles esqueceram de perguntar ao próprio o que ele achava, mas aí é uma questão de fé de cada um. 😛

Constantinopla II (553)

  • Condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.

Constantinopla III (680)

  • Dualidade de Vontades em Jesus Cristo, não contrariadas uma pela outra, mas a vontade humana sujeita à vontade Divina, uma espécie de “esquizofrenia santa”.
  • Condenação do Monotelismo, que defendia que o Jóquei de Jegue detinha apenas uma única natureza (a divina, é claro). Eutiques, arquimandrita dum mosteiro de Constantinopla, defendeu que, havendo uma só pessoa em Jay Cee, também devia haver uma só natureza, admitindo que a humana fora absorvida pela divina.

Nicéia II (787)

  • Condenação do Iconoclasmo, para a erradicação da adoração de ícones religiosos, como as figuras sacras. Não sei qual é a diferença entre adorar ícones e imagens. Acaba se tornando algo similar a adorar três figuras e se dizer monoteísta.

Entendendo a Ortodoxia

Muito bem, depois de um breve resumo dos concílios, vamos examinar a Ortodoxia.

A Igreja Católica Apostólica Ortodoxa (mais conhecida hoje por Igreja Ortodoxa – do grego όρθος, reto, e δόξα, doutrina) tem entre seus fiéis os chamados de “cristãos ortodoxos”. A Ortodoxia é formada por diversas igrejas cristãs orientais que professam a mesma fé e, com algumas variantes culturais, praticam basicamente os mesmos ritos.

A autoridade suprema na Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa é o Santo Sínodo Ecumênico, que se compõe de todos os Patriarcas chefes das Igrejas Autocéfalas e os Arcebispos Primazes das Igrejas Autônomas, que se reúnem por chamada do Patriarca Ecumênico de Constantinopla e sob a sua presidência, em local e data que ele determinar.

A autoridade suprema regional em todos os Patriarcados autocéfalos e Igrejas Ortodoxas autônomas é da competência do Santo Sínodo Local, que é composta dos Metropolitas chefes das arquidioceses sob a presidência do próprio Patriarca ou Arcebispo que convoca a reunião, marcando a data, o local e a ordem do dia.

Hoje em dia, tais Igrejas Ortodoxas Autocéfalas incluem os 4 antigos patriarcados orientais (Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém), assim como as outras dez Igrejas Ortodoxas que surgiram nos séculos posteriores, quais sejam: Rússia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Geórgia, Chipre, Grécia, Albânia e Repúblicas Tcheco e Eslováquia.

Por iniciativa própria, o Patriarcado de Moscou concedeu o status de autocefalia a maior parte de suas paróquias nos Estados Unidos que passou a se denominar Igreja Ortodoxa na América; não obstante, o Patriarcado de Constantinopla reclama para si a prerrogativa de outorgar autocefalia e, por este motivo, outras Igrejas Ortodoxas ainda não reconhecem o status da Igreja Ortodoxa na América.

Existem 5 Igrejas Ortodoxas Autônomas que funcionam de modo independente no que diz respeito aos seus assuntos internos, porém, sempre dependendo canonicamente de uma Igreja Ortodoxa Autocéfala. Na prática, isto significa que a “cabeça” de uma Igreja Autônoma deverá ser confirmada em ofício pelo Santo Sínodo de sua Igreja-Mãe. Pensou que era feito de qualquer jeito? Não é não.

As Igrejas Ortodoxas de Finlândia e Estônia são dependentes do Patriarcado Ecumênico, enquanto que a de Monte Sinai depende do Patriarcado de Jerusalém. A estas 3 Igrejas Ortodoxas Autônomas deveríamos acrescentar as outras 2 Igrejas que Moscou outorgou autonomia: a Igreja Ortodoxa da China e a Igreja Ortodoxa do Japão, ambas filhas da Igreja Russa. Tais ações ainda não tiveram o reconhecimento oficial do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

Entendendo a Igreja Católica Apostólica Romana

A Igreja Católica Apostólica Romana, ou simplesmente Igreja Católica (ou abreviadamente ICAR), na perspectiva do número de fiéis, é considerada a principal organização religiosa do mundo e o ramo mais importante do cristianismo. Ela se define notavelmente pelas palavras do Credo, como:

UNA – Nela subsiste a única instituição fundada por Cristo para reunir o povo de Deus;

SANTA – Esposa de Cristo, por sua ligação única com Deus e que visa, através dos sacramentos, santificar e transformar os fiéis;

CATÓLICA – Espalhada por toda a Terra e portando a integralidade do depósito da fé;

APOSTÓLICA – Fundamentada na doutrina dos apóstolos cuja missão recebeu sem ruptura.

Um dos traços que a caracterizam é o reconhecimento do Bispo de Roma (Papa para os íntimos), como sucessor direto do apóstolo Pedro e como vigário de Jesus Cristo. A adjetivação “católica” tanto é aplicada à Igreja Latina (de “rito latino”) quanto às Igrejas orientais católicas. Entretanto, é mais empregada referindo a primeira, sendo “católicos” os fiéis nela batizados, ou batizados em outras Igrejas particulares, de rito diferenciado, mas que nela tenham professado fé.

Segundo Marcos 16:14-15, aos apóstolos foi cabido divulgar o evangelho (boa nova) a toda criatura de todas as nações. Conseguem imaginar o camarada pregando o evangelho para uma ema? Eu tb não. Que tal um pigmeu antropófago? Um pensamento que não deixa de ter um certo “sabor”. 😉

Muito bem, Deus (supostamente) concedeu a Pedro, o pescador de homens (ui!), a ser transmitido a seus sucessores, da mesma forma permanece todos apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido para sempre pela sagrada ordem dos bispos. Vocês queriam saber porque a ICAR ensina que os bispos, por instituição divina, sucederam aos apóstolos como pastores da Igreja, já que aqueles que os ouvem, ouvem a Jesus Cristo em pessoa, e quem os despreza, despreza J.C. da mesma forma. A boa e velha ameaça. Típico, não é mesmo?

Os católicos acreditam na Santíssima Trindade. Os pontos de vista católicos diferem dos ortodoxos em alguns pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. Pedro (o Papado), a natureza da Trindade e o modo como ela deve ser expressa no Credo Niceno, assim como o entendimento da salvação e do arrependimento.

Os católicos divergem dos protestantes em vários pontos, incluindo a necessidade da penitência, o significado da comunhão etc. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da justificação (na Reforma ensinava-se que “nós justificamo-nos apenas pela fé”). O diálogo ecumênico moderno levou a alguns consensos sobre a doutrina da justificação entre os católicos romanos e os luteranos, anglicanos e outros.

E os cristãos continuam se entender maravilhosamente bem entre si.

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