Dos quadrinhos para a realidade: robôs sexuais

O escocês David Levy, 62 anos, é considerado um dos maiores especialistas em inteligência artificial no planeta. Presidente das empresas International Computer Games Association e Intelligent Toys (no momento desenvolvendo um brinquedo dotado de I.A.), é também autor de obras teóricas sobre o tema e tem seu nome relacionado entre os mais respeitados quando o assunto é robótica.

No mês passado, seu novo livro abordou novamente o tema. A repercussão dessa obra, entretanto, ultrapassou a fronteira dos círculos acadêmicos e científicos e invadiu o mundo das conversas informais sobre sexo, bizarrices e até quadrinhos.

Em Love and Sex with Robots: The Evolution of Human-Robot Relationships (Amor e Sexo com Robôs: A Evolução dos Relacionamentos Humanos-Robôs), lançado pela Harper Collins nos Estados Unidos, Levy não só defende a crença de que, um dia, humanos se relacionarão sexualmente com robôs.

Para ele, isso será possível, mais precisamente, até 2047. Além de sua agora escancarada fascinação pela idéia, o que leva o autor a pensar dessa forma são o que ele aponta como o desenvolvimento acelerado da tecnologia (que poderá chegar à criação de robôs não apenas com traços humanóides, mas capazes de simular – ou mesmo sentir – emoções) e as dificuldades e insatisfações comuns nos relacionamentos amorosos entre humanos.

Levy vai fundo na questão e diz que as mulheres apreciarão os robôs como alternativa a seus maridos malcheirosos e suados, cujos apetites sexuais medíocres são determinantes para o aumento nas vendas de vibradores.

“Amor e sexo com robôs em grande escala são inevitáveis. (…) Pode-se programar um robô para praticar posições e técnicas sexuais de todo o mundo ou colocá-lo em modo de ensino para ‘aprendiz sexual'”, disse Levy à revista alemã Der Spiegel.

O pesquisador ainda prevê ganhos sociais decorrentes dessa prática. “A contaminação por doenças sexuais transmissíveis pode ser reduzida porque é possível desinfetar o robô. Se as pessoas fizerem sexo com robôs, evitarão filhos não desejados e não haverá a necessidade de fazer abortos (…)”, afirmou ele em entrevista à jornalista Marcela Buscato, na revista Época desta semana.

Para muitos, toda essa discussão pode parecer mais uma das esquisitices típicas deste século que ainda se descortina, mas os leitores de quadrinhos viram uma história parecida há mais de 20 anos.

Em 1985, o já veterano quadrinhista francês Paul Gillon escreveu e desenhou A Sobrevivente, sua primeira HQ erótica, cuja qualidade impecável no roteiro e na arte resultou em diversos prêmios e versões em muitos idiomas, incluindo o português.

A graphic novel narra a história da estonteante Aude Albrespy, única sobrevivente de um holocausto nuclear na Terra. Ela passa a viver solitária numa França futurista povoada apenas por robôs inteligentes que continuam exercendo a atividades para as quais foram construídos.

Sozinha e necessitada dos prazeres de uma companhia masculina, ela se rende a um romance com o robô Ulisses, empregado da mansão que Aude toma como sua morada.

A realização sexual da mulher, embora pareça plena, só acontece de fato quando ela encontra Stanny, um astronauta humano que estava em missão no planeta Plutão enquanto a hecatombe atômica acontecia.

Os dois tornam-se amantes e, como seria de se esperar, o robô Ulisses é descartado dos afazeres sexuais. Isso é o bastante para despertar um ciúme doentio e perigoso na criatura mecânica.

O final da história, porém, não será revelado aqui para não estragar a surpresa. Registre-se apenas que o relacionamento de amor e sexo entre robôs e humanos idealizado por Paul Gillon é tão sombrio quanto é romântico o que David Levy imagina a respeito disso.

A Sobrevivente é uma excelente sugestão de leitura não apenas para os fãs de quadrinhos eróticos, mas, principalmente, de ficção científica. A dosagem de cada um desses elementos é tão bem distribuída que fica quase impossível determinar qual dos dois é pano de fundo para o outro.

No Brasil, a obra foi lançada em 1988 pela editora Martins Fontes, em edição de luxo gigante da coleção Opera Erotica, e pode ser facilmente encontrada em sites de leilão e e-shops do País.

Fonte: http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/n18122007_06.cfm

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6 Respostas

  1. é o começo do fim.

  2. Crueldade, crueldade, crueldade

    Odeio ficar curiosa, ODEIO.

    Agora serei obrigada a procurar o tal livro.

    Crueldade!

  3. Muito pelo contrário, é o começo do começo. Imagine fazer sexo com uma robô–réplica de Ana Paula Arósio? Deve ser bem melhor do que se masturbar. Tô dentro, tô fora, tô dentro….viva a ciência por parir a tecnologia.

  4. Admiro muito o trabalho desse pessoal… Mas acho que prefiro o método tradicional, mesmo com os riscos de insatisfações. ;-P

  5. É esquisito. o.o

  6. Eu comeria :P.

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