Baleias descendem de animal terrestre do tamanho de um quati

A análise de fósseis encontrados na Índia lança uma nova hipótese para o surgimento dos cetáceos. Esse grupo de mamíferos marinhos, do qual fazem parte as baleias e os golfinhos, teve como ancestral mais próximo um animal terrestre herbívoro do tamanho aproximado de um quati, que viveu há 48 milhões de anos e passava grande parte de seu tempo na água, provavelmente para fugir de situações de perigo.

Os cetáceos surgiram cerca de 50 milhões de anos atrás no sul da Ásia, mas seu ancestral terrestre permanecia um mistério. Acreditava-se que o grupo dos hipopotamídeos (no qual se incluem os hipopótamos) seriam os parentes mais próximos desses mamíferos marinhos. Mas a família Hippopotamidae tem apenas 15 milhões de anos e seu primeiro registro na Ásia data de 6 milhões de anos atrás.

Em busca das peças que faltavam para explicar a evolução dos cetáceos, a equipe de Hans Thewissen, da Faculdade de Medicina das Universidades do Nordeste de Ohio (Estados Unidos), analisou fósseis de diversas espécies de artiodáctilos (animais com cascos nas patas e número par de dedos que têm como representantes atuais os bois, porcos e hipopótamos, entre outros). Já se sabia que esses animais estavam ligados às baleias primitivas, mas nenhum deles era morfologicamente parecido com elas.

Entre os fósseis de artiodáctilos analisados estavam dentes e fragmentos da região do crânio do animal Indohyus coletados em um sítio no lado indiano da região da Caxemira. Os Indohyus eram mamíferos terrestres pequenos, que viveram no sul da Ásia no período Eoceno (entre 55,8 milhões e 33,9 milhões de anos atrás), aproximadamente na mesma época que as baleias primitivas. Eles pertenciam à família Raoellidae, que, junto com as famílias Suidae (que incluem os porcos atuais) e Hippopotamidae, entre outras, integra a subordem Suina.

O estudo, publicado na revista Nature desta semana, mostra que o raoelídeo Indohyus divide com os cetáceos muitas características que não estão presentes em outros artiodáctilos. A mais significativa é a presença de uma estrutura auditiva chamada invólucro, que se acreditava ser exclusiva dos cetáceos, tanto os primitivos quanto os modernos. Outras similaridades entre os dois grupos incluem a densidade dos ossos de seus membros, a disposição dos incisivos na mandíbula, a presença de coroas altas nos pré-molares posteriores e a composição química dos dentes.

Da terra para a água

A análise dos ossos do esqueleto do Indohyus revelou uma camada externa mais densa, característica freqüentemente observada em mamíferos que andam no fundo dos cursos d’água, como os hipopótamos atuais. Esse fator, aliado à composição química dos dentes do Indohyus, que apresentou taxas de oxigênio similares às de mamíferos aquáticos, indica que o animal também vivia na água.

Segundo os pesquisadores, o Indohyus não era um exímio nadador. Ele andava por águas rasas e seus ossos pesados serviam para manter suas patas ancoradas. Ele passava a maior parte de seu tempo na água e vinha à superfície para se alimentar da vegetação – como fazem os hipopótamos.

Os resultados do estudo sugerem que o comportamento de caçar animais – presente nas baleias modernas – só apareceu depois que os Indohyus se mudaram para a água. A principal alteração na dieta desses animais teria ocorrido durante sua transição de artiodáctilos para baleias.

Thewissen e sua equipe sustentam que a grande mudança evolutiva que originou os cetáceos não foi a adoção de um estilo de vida aquático, como se pensava anteriormente. “Propomos que a mudança relativa à dieta foi o evento que definiu a origem dos cetáceos”, defendem os autores no artigo.

Segundo eles, as baleias teriam se originado de ancestrais raoelídeos – herbívoros ou onívoros na terra – que ficavam na água em situações de perigo, e depois teriam adotado uma dieta de presas aquáticas. “Mudanças significativas na morfologia dos dentes, no esqueleto oral e nos órgãos sensitivos fizeram os cetáceos diferentes de seus ancestrais e únicos entre os mamíferos”, concluem.


Fonte: Ciência Hoje Online

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