O que é preciso saber para criticar a fé cristã?

Recentemente, livros de sucesso de autores ateus como Richard Dawkins e Christopher Hitchens têm recebido críticas de setores religiosos. O mais recente ataque veio de Rowan Williams, arcebispo de Canterbury. Segundo Williams, nas discussões sobre cristianismo, a religião criticada por Dawkins, Hitchens e outros não é a mesma que ele reconhece como sua, e que estes autores, errônea e arrogantemente, dizem aos cristãos “eu sei o que você quer dizer”, quando na verdade não sabem, e isso aparentemente o “incomoda”.

O argumento básico de Williams e outros é que esses escritores simplesmente não se dispuseram a estudar um pouco de teologia e dirigir-se aos “argumentos de verdade”. Como eu sou formado com mérito em Teologia e Estudos Religiosos, presumo que Williams não pode alegar que não tenho idéia do que estou falando, embora eu concorde com as conclusões de Dawkins e Hitchens.

A seguir, delinearei brevemente as bases da crença cristã, mostrando o que Williams considera como sendo verdade, usando suas próprias palavras. Minha conclusão é que Dawkins e companhia não erraram muito na sua representação da fé cristã, e sua falta de estudo teológico não afeta em nada a veracidade de seus argumentos.

Vamos dar uma olhada rápida na narrativa bíblica básica:

Existe um ser incrivelmente poderoso e inteligente chamado Deus, cuja existência precede o próprio tempo. Por alguma razão, ele decide criar o universo, dando uma atenção especial ao planeta Terra. Tendo criado o universo, a Terra e todas as espécies nela contidas (“criando” o Big Bang e “guiando” a evolução, no estilo de interpretativo de Williams), ele decide focar toda sua atenção a alguns grupos tribais do Oriente Médio, em particular os israelitas, o “povo escolhido” que se torna sua obsessão, ao mesmo tempo tempo que aparentemente ignora o resto da população mundial. Ele baixa numerosas, primitivas e arbitrárias leis morais e cerimoniais, e então se envolve em disputas políticas tribais internas e disputas de terras, incitando atos de brutalidade, crimes de guerra, genocídio e estupro no processo. Aí pulamos para o Oriente Médio sob Ocupação Romana, e Deus decide que é hora de dar as caras. Por meios místicos, ele vêm à Terra em forma humana, nascido de uma virgem, encarnado como um judeu que peregrina pelo atual território Israel-Palestina, fazendo uma forte crítica social (mas nunca dando nenhuma explicação sistemática de como suas idéias poderiam ser úteis politicamente), praticando a cura pela fé (exorcizando “demônios”), truques de magia (como andar sobre a água e ressuscitar um homem morto), e discursando insistentemente sobre pecado, punição eterna para a maioria da população mundial e o iminente fim do mundo. Ele acaba crucificado, a fim de oferecer-se em sacrifício a si mesmo, para o nosso bem. Alguns dias depois ele sai andando de sua tumba e perambula com alguns de seus seguidores (aparentemente não se preocupando em aparecer para ninguém que já não acreditasse nele), antes de “ascender” ao “Paraíso” a fim de esperar a hora de retornar para ressuscitar todo ser humano que já tenha vivido, a fim de julgá-los e jogar a maioria num lago de fogo, selecionando alguns poucos para seu “reino” eterno, onde viverão felizes para sempre.

Esses são os “tijolos” com os quais a teologia cristã é erigida. Williams e outros obviamente protestarão que eles não vêem a coisa de maneira tão simplista, mas essa narrativa sustenta a Bíblia, os credos e liturgias da Igreja, e séculos de especulação teológica.

Williams alega que “quando nós, crentes, lemos Dawkins e Hitchens, eis como nos sentimos ao virar as páginas: ‘Está tudo errado. Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito'”. Talvez nós ateus tenhamos entendido Williams mal, e alguma profundidade tenha sido perdida. Então, vamos ver o que Williams declara acreditar, e ver se é o caso.

Williams declara que “seria totalmente errado e destrutivo declarar do púlpito algo em que eu não acreditasse” e que “oferecer-se para a ordenação requer tomar a responsabilidade pela totalidade da fé da igreja, e não pedacinhos dela”. O que é “a fé da igreja”? Há alguma relação com a crua narrativa supracitada? O Credo Niceno serve, para muitas das grandes denominações cristãs, como uma declaração unificada de fé, tendo emergido de debates sobre a natureza da fé cristã, nos primórdios da igreja. Ele é lido por padres e congregações todo domingo eucarístico. Se Williams concorda com esse texto – o que ele claramente faz, já que também o recita alegremente – e, como vimos, ele acha que seria “totalmente errado” proclamar algo que ele não considerasse verdadeiro, então podemos tomar o Credo como um reflexo preciso de sua visão da realidade.

Eis a íntegra do Credo Niceno:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,

Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens,
e para nossa salvação desceu dos Céus.

E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.

Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há de vir. Amém.

Estas são as coisas básicas em que alguém deve crer para ser um cristão. Esta é “a fé da igreja”, a qual Williams acredita ser “responsável” por defender e proclamar. Vemos a história de um deus criador que “fala pelos profetas” israelitas e coloca informações importantes e precisas sobre o futuro nas “Escrituras” (ou seja, o Antigo Testamento); um deus que “desceu” de (e “subiu” a) um lugar real chamado “os Céus”, nasceu de uma mãe virgem, foi crucificado “por nós”, ergueu-se dos mortos, e um dia deve retornar “dos Céus” para ressuscitar os mortos, a fim de julgá-los, e ele levará os crentes para um “Reino” eterno. Deve estar bem claro que eu não li mal ou interpretei de forma errada as alegadas verdades da Cristandade, e que Dawkins ou qualquer outra pessoa poderia razoavelmente ler essa declaração de fé e decidir se a acha plausível , ou se a considera um nonsense fictício e fantasioso.

Uma alegação-chave é que, como os “novos ateus” nunca estudaram teologia, eles não sabem realmente do que estão falando. Talvez algo importante tenha sido perdido. Talvez o Credo precise de alguma reflexão teológica para que seu “verdadeiro significado” possa ser discernido. Tomemos, por exemplo, a suposta ressurreição de Jesus. Se Dawkins estudasse teologia, por acaso ele entenderia algo diferente de um evento histórico literal sobre um corpo sem vida acordando e saindo andando do túmulo? Mas não é o caso de Williams. Quando o bispo ultraliberal John Shelby Spong sugeriu que Williams não acreditava realmente em cadáveres que saem andando, Williams declarou que isso o deixa “bastante irritado”, porque:

Sou genuinamente bem mais conservador do que ele gostaria que eu fosse. Tomemos a ressurreição. Acho que ele disse foi que obviamente eu sei tudo o que os estudiosos pensam sobre o assunto, e portanto quando eu falo em “ressuscitado” eu falo de algo diferente de um túmulo vazio. Mas não é o caso, e não sei como persuadi-lo disso.

Então, Williams acredita, sim, em cadáveres que andam. Mas e todo aquele papo sobre Jesus ser Deus encarnado? Talvez Dawkins e companhia, se tivessem estudado teologia, descobririam que Williams e seus pares têm uma interpretação mais criativa e poética, e menos literal. Mas, de novo, parece que não:

Alguns dos padrões fundamentais dos ensinamentos cristãos – a criação do mundo a partir do nada, o envolvimento total de Deus, Jesus e o Espírito Santo – são para mim a gramática de tudo que dissermos. Não me espanto quando alguém diz que deveríamos ser criativos sobre estes padrões; eles são aquilo que nos cria, são as realidades que tornam possível que sejamos os seres humanos que Deus deseja. Não consigo imaginar querer ser criativo a respeito a isso mais do que eu faria com o ar que respiro.

Pode-se perguntar de novo de que forma exatamente Dawkins e outros supostamente fizeram uma caricatura, um espantalho da fé cristã, e como Williams pode achar que “Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito”, dado sua clara concordância com as noções mostradas no Credo.

Nesse ponto, sou obrigado a admitir que, para que certos aspectos do Credo poderem ser totalmente entendidos, seria necessária ao menos uma leitura rápida de teologia patrística. Algumas das frases têm um significado muito técnico, ao qual muitas vezes se chega depois de acalorado debate. Três conceitos que se destacam são os seguintes: “nascido do Pai antes de todos os séculos”, “consubstancial ao Pai”, e que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”. Entretanto, o cerne da mensagem da cristandade não é dependente desse obscurantismo e pedantismo teológico. Essas frases são derivadas de reflexões posteriores, sobre as quais embasei o que chamei de “tijolos” da fé cristã. Não é necessário entender as meditações teológicas dos pensadores dos primórdios da igreja para concluir que um nascimento a partir de uma virgem, anjos, demônios, milagres, sacrifício de sangue divino, cadáveres que saem andando, céu e inferno, são conceitos sem sentido. Vemos aqui um exemplo claro da natureza da teologia, e porque este estudo é genuinamente desnecessário para que a fé cristã seja rejeitada.

Em princípio, qualquer um é capaz de julgar as alegadas verdades da cristandade unicamente a partir da leitura da Bíblia, pois toda a reflexão teológica posterior assume que essas narrativas são um reflexo preciso da história do mundo e da derradeira realidade. Tire as narrativas, e todo o edifício teológico desmorona. Eis o que se encontra na teologia: durante séculos, pessoas eruditas tentam fazer suas crenças claramente irracionais parecerem coerentes e lógicas, mas tudo baseado no mesmo conjunto pequeno de crenças básicas.

A essência da teologia é definida de modo conciso numa frase de Santo Anselmo de Canterbury (1033-1109): fides quaerens intellectum (fé em busca de entendimento). De fato, foi a primeira definição que me ensinaram, quando estudante de teologia. A noção de “fé em busca de entendimento” demonstra claramente o quanto a teologia é intelectualmente vazia, e quão baixa deveria ser sua credibilidade como objetivo acadêmico (no sentido de engajar-se ativamente em produção teológica, em contraste com o seu estudo acadêmico puro como parte da história das idéias).

A Teologia vira de cabeça para baixo o método científico que seguimos desde o Iluminismo. A pesquisa científica pode iniciar com uma proposição razoável baseada em evidência existente (hipótese), e então coleta e examina dados para ver se a proposição é realisticamente precisa, ou pode simplesmente levar à descoberta de dados que ninguém havia previsto. Já a teologia começa com a aceitação de idéias sem base factual, ou para os quais a evidência é espantosamente fraca, e orgulhosamente proclama a aceitação dessas idéias com base na “fé” como uma virtude, e então continua a tentar fazer essas crenças a priori parecerem racionais e inteligíveis.

Em outras palavras, chega-se aos “resultados” da teologia antes de ser feito qualquer estudo para confirmá-los. O teólogo não usa as doutrinas básicas da fé cristã como possíveis verdades cuja consistência lógica deve ser testada; em vez disso, ele começa com a conclusão que , pela fé, são verdadeiras suas “crenças”, uma série de afirmações internamente incoerentes, pré-científicas e fantásticas, e então tenta revesti-las com credibilidade intelectual.

Nesse sentido, a Teologia não é uma busca acadêmica adequada, mas uma tentativa de mascarar a superstição numa névoa de verbosidade pseudo-intelectual. Williams é bom nisso. Já sabemos em que ele acredita sobre Deus, Jesus e tudo mais a partir de suas próprias palavras e por sua concordância com a doutrina da igreja; mas quando fala em público, ele tenta “turvar a água” com uma retórica insípida como numa palestra recente:

O religiosos diz que integridade moral, introspecção, honestidade e confiança são estilos de vida que se conectam com o caráter de um agente eterno e livre, que a maioria das religiões chama de Deus. Podem concordar ou não, mas aviso aos críticos: ao menos saber do que exatamente estamos falando. Muitas vezes os ateus parecem estar falando sobre uma coisa diferente.

Não, Dr. Williams, os ateus não estão “falando sobre uma coisa diferente”, mas sim das crenças que você proclama como verdadeiras. Revestir as idéias cristãs sobre Deus com termos como “agente livre e eterno”, é criar uma cortina de fumaça com jargões sem sentido, tentando fazer a superstição parecer algo sofisticado.

Pelas palavras de Williams, parece bem provável que ele não tenha se dado ao trabalho de ler os escritos que ele critica. É incrível que ele tenha a desfaçatez de associar a fé cristã à “integridade moral, introspecção, honestidade e confiança”, sem atacar as duras críticas feitas por Dawkins em “Deus, um Delírio” à noção de moralidade e religiosidade derivadas da Bíblia. Parece que o que estamos vendo é apenas a repetição de argumentos de séculos de idade, tão fracos que mesmo uma criança do primeiro grau poderia desmanchar: a noção de que a crença em Deus é integralmente ligada a padrões éticos, com a implicação que ateus são incapazes de serem morais, já que não acreditam em um vigia divino que um dia nos levará a julgamento.

Será que Dawkins, Hitchens e vários outros pensadores ateus fizeram uma representação grosseira da cristandade? Será que os cristãos tem alguma razão para dizer que a religião citada por esses pensadores é diferente daquela que eles pelo menos dizem seguir? A reposta para as duas perguntas é não. Será que, para rejeitar a crença religiosa, Dawkins e outros precisam mergulhar em séculos de falastrice teológica? Claro que não.

As declarações de Williams e outros como ele não passam de reações de reflexo contra o racionalismo. Eles se queixam que sua fé foi mal entendida, quando o que parece é que eles mesmos é que estão representando mal suas reais crenças. Como é que o Arcebispo de Canterbury, um homem que por sua própria posição crê em todos os ensinamentos centrais da fé cristã, pode declarar que as críticas dos ateus evitam os ditos “argumentos de verdade”, é algo que me escapa.

A verdade é a seguinte: não há “argumentos de verdade”. No fundo, a própria Teologia é uma questão de fé, e não argumento intelectual genuíno. Os teólogos podem continuar escrevendo livros imensos e artigos usando um tom denso e erudito, mas realmente não é preciso que os ateus os leiam, já que no fim eles se reduzem às mesmas derradeiras crenças, que os ateus – corretamente, a meu ver – rejeitam, por falta de credibilidade intelectual e moral.

Edmund Standing é graduado em Teologia & Estudos Religiosos e mestre em Teoria Cultural e Crítica


Extraído de: Os “novos ateus” estão evitando os “argumentos de verdade”?
por Edmund Standing – original (em inglês):
http://www.butterfliesandwheels.com/articleprint.php?num=280Fonte e tradução: Elizandro Max do Godless Liberator

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8 Respostas

  1. aff ; num tem nenhum crentóide para replicar…

  2. […] Dez 18, 1:25 PM — O que é preciso saber para criticar a fé cristã? […]

  3. para criticar a fe voce precisa de saber oque as crenetes nao sabem.Ele tambem precisam de saber que eles nao sabem,pois ningeim pode tratar um paciente se ele mesmo se acha saudavel

  4. Sinceramente ,,, não creio que um “médico” pode curar um deonte se ele não souber de onde ou qual a origem da “doença” !

    Como posso te criticar se não te conheço ?!
    Como posso criticar Deus se não o conheço ?!

  5. Verdade.

    Como se pode criticar algo que não existe?


  6. Como posso te criticar se não te conheço ?!
    Como posso criticar Deus se não o conheço ?!

    Curioso:

    a) Existem críticos literários que nunca conheceram os autores dos livros.

    b) Defendem os teístas que Deus existe. Se ele existe e é responsável pela criação de tudo, é sim possível criticá-lo: que obra mais mal-feita…pq diabos (hehe) teria ele criado o mal?

  7. O MAIOR PROBELMA DAS RELIGOSOS,QUE ELES NAO SABEM DA SUAS IGNORANCIAS.eLES NAO SABEM QUE EXISTE M FALHAS DENTRO DA BIBLIA.eLES NAO SABEM NADA SOBRE DARWIN E OUTROS CIENTISTAS.nOS PRECISAMOS DE TIRAR,ESSES PESSOAS DAS SUAS CEGUEIRAS.TEMOS QUE SER A LUZ DELES PARA ELES PODEIRAM EXXERGAR A RELAIDADE.pORISSO ATRAVES DE NOS ELES DEVEM DESOBRIR OQUE ELES NAO SABEM.TEMOS QUE MOSTRAR PARA E3LES AS FALHAS QUE E EXISTEM NA BIBLIA.nOS TAMBEM TEMOS QUE DESOBRIR AS FALHAS QUE EXISTEM DENTRO DA BIBLIA,POIS SAO MUITAS PARA PODEMOS CRITICAR AS RELIGOES EM UMA MANEIRA LOGICA E CIENTIFICA.eNQUANTO O PACIENTE NAO DESOBRE QUE ELE DOENTE,O MEDICO NUNCA PODERA TRATA LO.tAMBEM O RELIGOSO SE VOCE NAO MOSTRA PARA ELE QUE ELE ESTA ERRADO,ELE NUNCA LARGARA A BIBLIA.

  8. Quando os crentes criticam o evolucionismo também demonstram que não leram ou não entenderam nada.

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