Qual é a idéia mais perigosa na religião?

religiao.jpgA religião é uma das forças mais potentes em questões humanas. Inspirou alguns dos momentos mais sublimes da história, mas também alguns de seus mais bárbaros.

A Inquisição, explosões de clínicas de aborto, ataques suicidas no Iraque – tudo isso tem raízes em alguma forma de ideologia religiosa.

Com isso em mente, fizemos a mesma pergunta a cinco pensadores religiosos de diferentes crenças: qual é a idéia mais perigosa na religião hoje? Seus comentários foram editados por questões de brevidade e clareza.

Violência em nome de Deus – Richard Land

“Concordo com o papa João Paulo II, que disse que há um santuário sagrado da alma para cada homem e mulher. Nenhum outro ser humano tem o direito de interferir coercivamente com esse santuário sagrado da alma. A idéia mais perigosa na religião é a idéia que a força coerciva, violenta, é permissível em nome de Deus – qualquer Deus.”

“Você vê isso no islamismo radical. Observe que eu disse radical, não islamismo apenas. A maior parte das pessoas morrerá se essa idéia se espalhar. Ajudará a envenenar o poço do debate e discussão sobre questões que as pessoas discordam. É corrosiva ao discurso público dizer que, se você discordar de mim, vou matar você. Faz erodir a liberdade de expressão, a assembléia e a adoração.”

Richard Land é presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. Ele foi selecionado pela revista Times em 2005 como um dos 25 evangélicos mais influentes nos EUA

Siga as regras ou… – Wayne Dyer

“Carl Jung (autor e psicanalista) tinha uma frase. A paráfrase é: o principal problema da religião organizada é que o propósito da religião organizada é impedir as pessoas de terem a experiência direta de Deus. A religião é organizada em torno do princípio que a religião dará a experiência direta de Deus a você, desde que você se torne membro, siga as regras e contribua financeiramente.”

“A coisa mais importante que um ser humano pode reconhecer é que já está conectado a Deus, e essa conexão não é algo que se pode entregar a outra pessoa ou organização. Uma das verdades do mundo físico é que você é como aquilo do que você veio. Se você se pergunta como é uma torta de maçã, é como a maçã de onde veio”.

Wayne Dyer é um dos palestrantes de auto-ajuda mais populares do país. Ele é autor de 29 livros e apareceu freqüentemente em especiais da PBS

Minha religião está certa – Rabino Harold Kushner

“Há uma noção que diz que, para eu estar certo, todo mundo que discorda de mim está errado. Ela torna a cooperação entre religiões mais difícil. Se eu acredito nisso, tenho que acreditar que a religião dos outros não presta, é inválida.”

“Você tem que entender que a religião não é sobre receber informações sobre Deus. Religião é sobre comunidade. O propósito primário não é nos levar ao céu, mas nos colocar em contato com as outras pessoas. Posso ter feroz lealdade a minha família sem denegrir a família dos outros. Posso ter feroz lealdade a minha religião sem denegrir a religião dos outros. Da mesma forma, meu vizinho pode dizer que sua esposa é a mulher mais maravilhosa do mundo. Posso tomar isso como declaração de amor, não como fato.”

O rabino Harold Kushner é um dos pensadores judeus mais famosos do país. Ele é conhecido por seu livro campeão de vendas “Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas”

Converter outros para sua religião – Dr. Abdullahi Ahmed Na-Na’im

“Não acreditaria em uma religião, se não acreditasse que é melhor que as outras. A noção de superioridade e exclusividade é inerente à crença religiosa. Pode ser perigosa ou não.”

“A idéia de trabalho missionário é muito carregada e perigosa, porque freqüentemente envolve simplesmente apresentar crenças para alguém aceitar ou rejeitar. Sempre está baseada em poder. Os que têm a capacidade de proselitismo são mais poderosos. Têm os recursos para estabelecer escolas, hospitais. O trabalho missionário não é neutro. Tem base no poder. Você não encontra muçulmanos saindo para fazer proselitismo nos EUA. Mas você encontra americanos indo para todo tipo de país muçulmano.”

Dr. Abdullahi Ahmed Na-Na’im é acadêmico internacionalmente reconhecido do islã e de direitos humanos. Ele é professor da Universidade de Emory

Uma visão tribal de Deus – Deepak Chopra

“A idéia mais perigosa é: meu Deus é o único Deus verdadeiro e minha religião é a única verdadeira. Leva a brigas, divisões, terrorismo, preconceito, racismo e banhos de sangue.”

“As noções religiosas são programadas em nossa consciência em uma idade muito tenra. Achamos que são verdade. É muito difícil deixar essa condição, mesmo diante do raciocínio intelectual, por causa do aprisionamento emocional a nossa condição. Lutamos com emoções quando nossas crenças são ameaçadas.”

“Estamos em um ponto crítico em nossa evolução. Estamos começando a tomar consciência. Sabemos muito sobre a natureza. Temos uma boa idéia sobre o início do universo. Compreendemos em alguma extensão as leis da física, química e biologia. Ainda assim, para a vasta maioria das pessoas, apesar de termos telefones celulares e podermos fabricar bombas atômicas, nossa evolução psicológica e espiritual está em um nível muito tribal.”

Deepak Chopra é diretor e co-fundador do Centro Chopra de Bem Estar em Carlsbad, Califórnia. Ele é autor e palestrante famoso por integrar a medicina Ocidental com tradições de cura natural do Oriente


Tradução: Deborah Weinberg
Fonte: Visite o site do Cox Newspapers

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7 Respostas

  1. Todas as idéias expostas são realmente perigosas e todas foram analisadas com muita coerência pelos especialistas.
    Na minha opinião, o fanatismo religioso, em si, é perigoso. Não importa em que nível, se irá levar o fanático a vestir um cinto de explosivos ou não. Às vezes, atitudes de extrema ignorância, tomadas no dia-a-dia, são tão destrutivas quanto agredir fisicamente quem está por perto.

  2. Acho que o pior comentário foi do Dr. Abdullahi Ahmed Na-Na’im:

    “Não acreditaria em uma religião, se não acreditasse que é melhor que as outras.”
    Ele já começa dizendo que acredita ser o islamismo melhor religião que as outras.

    “Você não encontra muçulmanos saindo para fazer proselitismo nos EUA. Mas você encontra americanos indo para todo tipo de país muçulmano.”
    Ele termina hipocritamente dizendo que não há proselitismo islamico, como se no Alcorão não houvesse trechos que ordenam a promoção do islamismo inclusive pela guerra. Veja que ele aproveita para dar uma patada:
    “Mas você encontra americanos indo para todo tipo de país muçulmano.” Como se todos os americanos que vão para paises muçulmanos fossem cristãos, com intenções de evangelizar. Aliás, garanto que há muito mais muçulmanos indo aos EUA, para viver num país democrático, do que americanos indo à paises muçulmanos, teocráticos com suas leis absurdas.

  3. Bom. Deves poder travar um debate filosófico, já que tratas destes temas. É muito tentador ironizar religiões, dizer-se cético. Porém há diferenças gritantes entre uma coisa e outra.

    Aquele que se diz “cético” ao deparar-se com a estrada de volta para casa, por que toma aquele caminho? Porque >acredita< que ele o leve para casa.

    O “cético” trata aqueles que ama bem. Por que?

    É ele tão cético assim?

    O ceticismo prático é inviável. Nos põe numa bolha estática e intransponível. Nos retira toda e qualquer ação possível – posto que ações buscam um fim, e o que o cético busca?

    A outra questão é sobre o relativismo total, ou subjetivismo.

    “Há uma noção que diz que, para eu estar certo, todo mundo que discorda de mim está errado”.

    À idéia de que não exista um “certo” melhor que o outro chama-se relativismo (se relativo no espaço e no tempo) e subjetivismo (se relativo ao sujeito).

    Todavia, também nos põe numa bolha sem possibilidade de ação quaisquer tipos de relativismo quando confrontados, por exemplo, com as reais situações de nazismo ou apartheid.

    Como ignorar que “uma verdade” é mais correta que a outra nestes casos?

    Como julgar tais horrores se o correto é a tolerância?

    Aliás. Enxerga a incoerência em dizer que “o certo” é a tolerância quando simultaneamente afirma-se que não há “o certo”?

    Digo tudo isso, entretanto, apenas prá filtrar argumentos válidos contra as religiões.

    Não nego o quanto elas embestecem e cegam o povo e tornam-se perigosamente alarmantes quando praticadas por fundamentalistas fervorosos.

    Mas há que se separar bons de maus argumentos.

  4. A idéia de que o homem precisa se ‘religar’ a um ente divino, por si só já é algo pernicioso.

    A somatória de todas as idéias expostas torna o mundo o que é hoje.

    A mais detestável de todas, porém, é a manifestada por Chopra: meu Deus é o único Deus verdadeiro e minha religião é a única verdadeira.

    Por mim, nenhuma religião existiria, todas se baseiam em mentiras escabrosas e nada cujo sustentáculo seja uma mentira pode conter algo de bom.

    Parabéns, Lealcy, pela excelente informação.

  5. Amigo rock voce parece um cara inteligente,mqas dizer que os EUA um pais democratico e uma ideia nao tem sentido.O povo amerciano esta pedindo para BUSH tirar o exercito do Iraque,mas BUSH nao quer,adora as aventuras,onde esta a democracia nisso.

  6. A idéia mais perigosa que existe na religião é a fonte de todos os males religiosos: A idéia de que um deus é quem nos diz o que é certo e errado e que nós não somos capazes para fazer esta distinção sozinhos.

  7. […] conceito de ‘Jihad’ é desvirtuado para justificar uma barbárie, uma das idéias mais perigosa da religião  é aquela que aduz que a violência/coerção são permitidas, desde que seja em nome de um bem […]

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