Entre duendes e UFO’s

Por Carl Sagan

Até que ponto a crença em duendes, gnomos e fadas do passado se assemelha aos ET’s e UFO’s de hoje? Será que os relatos antigos de contatos com duendes e outros seres fantásticos são semelhantes aos de contatos com extraterrestres?

Examinando a mente humana, muitas explicações de eventos de hoje podem estar no passado. Examinando diversos relatos, e estudos de cientistas, talvez descubramos…

Em 1645, uma adolescente da Cornualha, Anne Jefferies, foi encontrada grogue, encolhida no chão. Muito mais tarde, ela lembrou ter sido atacada por meia dúzia de homenzinhos, conduzida paralisada a um castelo no ar, seduzida, e trazida de volta para casa. Ela chamava os homenzinhos de duendes. (Para muitos cristãos piedosos, como para os inquisidores de Joana d’Arc, essa distinção era irrelevante. Os duendes eram demônios, pura e simplesmente.) Eles voltaram para aterrorizá-la e atormentá-la. No ano seguinte, ela foi presa por bruxaria. Os duendes têm tradicionalmente poderes mágicos, e podem causar paralisia ao simples toque de suas mãos. O tempo transcorre de forma mais lenta no país encantado. Os duendes têm problemas de reprodução, por isso fazem sexo com seres humanos e roubam os bebês dos berços – deixando às vezes um duende substituto, uma “criança trocada”. Agora esta me parece uma boa pergunta: se Anne Jefferies tivesse crescido numa cultura que fizesse propaganda de alienígenas em vez de duendes, e de UFOs em vez de castelos no ar, a sua história seria diferente, em qualquer aspecto significativo, das narradas pelas “vítimas de rapto por alienígenas”?

Em seu livro de 1982, The terror that comes in the night: an experience-centered study of supernatural assault traditions, David Hufford fala de um executivo de trinta e poucos anos, com educação superior, que se lembrava de um verão passado na casa de sua tia, quando ainda era adolescente. Certa noite, ele viu luzes misteriosas movendo-se no ancoradouro. Mais tarde, adormeceu. De sua cama, vislumbrou então uma figura branca e luminosa subindo a escada. Ela entrou no seu quarto, parou e depois disse – numa espécie de anticlímax, a meu ver: “É o linóleo”. Em algumas noites, era a figura de uma velha; em outras, a de um elefante. Às vezes o jovem estava convencido de que toda a história era um sonho; outras vezes tinha certeza de estar acordado. Ficava premido em sua cama, paralisado, incapaz de se mover ou gritar. O coração disparava. Ele ficava sem fôlego. Eventos semelhantes se passaram em muitas noites consecutivas. O que está acontecendo nesse caso? Essas ocorrências se deram antes que raptos por alienígenas fossem divulgados por toda parte. Se o jovem tivesse conhecimento dos raptos por alienígenas, a sua velha não teria apresentado uma cabeça e olhos maiores?

Em várias passagens famosas de O declínio e a queda do Império Romano, Edward Gibbon descreveu o equilíbrio entre a credulidade e o ceticismo no final da Antigüidade clássica:

A credulidade desempenhava o papel da fé; permitia-se que o fanatismo assumisse a linguagem da inspiração, e os efeitos do acaso ou dos planos eram atribuídos a causas sobrenaturais […].

Na época moderna [Gibbon está escrevendo na metade do século XVIII], um ceticismo latente e até involuntário adere à mais piedosa das disposições. Admitir verdades sobrenaturais é muito menos uma aprovação ativa do que uma aquiescência fria e passiva. Há muito tempo acostumada a observar e respeitar a ordem invariável da natureza, a nossa razão, ou pelo menos a nossa imaginação, não está suficientemente preparada para suportar a ação visível da divindade. Mas nas primeiras eras do cristianismo, a situação da humanidade era extremamente diferente. Os mais curiosos, ou os mais crédulos, entre os pagãos eram freqüentemente persuadidos a entrar numa sociedade que afirmava ter realmente poderes milagrosos. Os cristãos primitivos pisavam perpetuamente em terreno místico, e as suas mentes eram exercitadas pelo hábito de acreditar nos acontecimentos mais extraordinários. Sentiam, ou fantasiavam, que de todos os lados eram incessantemente atacados por demônios, consolados por visões, instruídos pela profecia e surpreendentemente salvos do perigo, da doença e até da morte pelas súplicas da Igreja […].

Eles tinham a firme convicção de que o ar que respiravam estava povoado de inimigos invisíveis; de inumeráveis demônios, que observavam todos os acontecimentos e assumiam todas as formas para aterrorizar e, acima de tudo, para tentar a sua virtude desprotegida. A imaginação e até os sentidos eram enganados pelas ilusões do fanatismo imoderado; e o eremita, que via sua oração da meia-noite ser dominada pelo cochilo involuntário, podia facilmente confundir os fantasmas de horror ou prazer que tinham preenchido o seu sono e os seus sonhos acordados […].

[A] prática da superstição é tão congenial à multidão que, se as pessoas são forçadas a despertar, elas ainda lamentam a perda de sua visão prazerosa. O seu amor ao maravilhoso e ao sobrenatural, a sua curiosidade em relação a acontecimentos futuros e a sua forte propensão a colocar as suas esperanças e medos além dos limites do mundo visível foram as principais causas que favoreceram o estabelecimento do politeísmo. É tão premente no povo a necessidade de acreditar em alguma coisa que a queda de qualquer sistema mitológico será muito provavelmente seguida pela introdução de algum outro modo de superstição […].

Vamos deixar de lado o esnobismo social de Gibbon: o diabo também atormentava as classes altas, e até um rei da Inglaterra Jaime I, o primeiro monarca Stuart – escreveu um livro crédulo e supersticioso sobre demônios (Daemonologie, 1597). Ele foi também o patrocinador da excelente tradução da Bíblia para o inglês que ainda leva o seu nome. O rei Jaime achava que o tabaco era a “erva daninha do diabo”, e várias bruxas foram descobertas por terem o vício dessa droga. Mas, em 1628, ele se tornara um cético rematado – principalmente porque adolescentes foram descobertos fingindo possessão demoníaca, em cujo estado tinham acusado pessoas inocentes de bruxaria. Se consideramos que o ceticismo que Gibbon afirma ter caracterizado a sua época diminuiu na nossa, e se até um pouco da credulidade desenfreada que ele atribui ao final da época clássica ainda sobrevive na nossa, não é de se esperar que alguma coisa semelhante a demônios encontre um nicho na cultura popular do presente?

Como os entusiastas de visitas extraterrestres são rápidos em me lembrar, há certamente outra interpretação desses paralelos históricos: os alienígenas, dizem eles, sempre nos visitaram, intrometendo-se na nossa vida, roubando nossos espermas e ovos, fecundando-nos. Nos tempos antigos, nós os reconhecíamos como deuses, demônios, duendes ou espíritos; só agora compreendemos que são os alienígenas que têm nos enganado durante todos esses milênios. Jacques Vallee tem empregado esse tipo de argumentação. Mas, nesse caso, por que não há virtualmente nenhum relato de discos voadores antes de 1947? Por que nenhuma das principais religiões usa discos como ícones do divino? Por que não nos avisaram sobre os perigos da alta tecnologia? Por que esse experimento genético, seja qual for o seu objetivo, ainda não está completo – milhares de anos ou mais depois de ser iniciado por seres supostamente capazes de realizações tecnológicas muito superiores? Por que enfrentamos tantos problemas, se o programa de reprodução é destinado a aperfeiçoar a nossa espécie?

Seguindo essa linha de argumentação, poderíamos prever que os adeptos atuais das crenças antigas passassem a compreender os “alienígenas” como duendes, deuses ou demônios. Na verdade, várias seitas contemporâneas – os “raelianos”, por exemplo – sustentam que os deuses ou Deus vieram à Terra em UFOs. Algumas vítimas de rapto descrevem os alienígenas, por mais repulsivos que sejam, como “anjos” ou “emissários de Deus”. E há os que ainda acham que se trata de demônios.

Em Communion, de Whitley Streiber, uma narrativa em primeira-mão de “rapto por alienígenas”, o autor relata:

“O que quer ali estivesse parecia monstruosamente feio, imundo, escuro e sinistro. E claro que eram demônios. Tinham que ser… Ainda me lembro daquela coisa ali agachada, terrivelmente feia, os braços e as pernas parecendo os membros de um grande inseto, os olhos me fitando”.

Sabe-se que Streiber está agora aberto à possibilidade de esses terrores noturnos terem sido sonhos ou alucinações.

Os artigos sobre UFOs em The Christian News Encyclopedia, uma compilação fundamentalista, incluem “Obsessão fanática anticristã” e “Cientista acredita que os UFOs são obra do demônio”. O Projeto de Falsificações Espirituais de Berkeley, Califórnia, ensina que os UFOs têm origem demoníaca; a Igreja Aquariana do Serviço Universal de McMinnville, Oregon, que todos os alienígenas são hostis. Um boletim de 1993 de “Comunicações da consciência cósmica” nos informa que os ocupantes dos UFOs consideram os humanos animais de laboratório, querem que nós os adoremos, mas tendem a ser intimidados pela Oração ao Senhor. Algumas vítimas de rapto foram expulsas de suas congregações religiosas evangélicas; suas histórias se pareciam demais com o satanismo. Um tratado fundamentalista de 1980, The cult explosion, escrito por Dave Hunt, revela que:

os UFOs […] evidentemente não são concretos, e parecem ser manifestações demoníacas de outra dimensão calculadas para alterar o modo de pensar dos homens […]. [A]s alegadas entidades UFO que presumivelmente estabelecem contato físico com os seres humanos sempre pregaram as mesmas quatro mentiras que a serpente apresentou a Eva […]. [E]stes seres são demônios e estão se preparando para o Anticristo.

Várias seitas sustentam que os UFOs e os raptos por alienígenas são premonições do “fim do mundo”.

Se os UFOs vêm de outro planeta ou de outra dimensão, será que foram enviados pelo mesmo Deus que nos tem sido revelado em qual quer uma das religiões predominantes? Nada nos fenômenos dos UFOs, reza a queixa fundamentalista, exige a crença num Deus único e verdadeiro, embora muita coisa contradiga o Deus retratado na Bíblia e na tradição cristã. The New Age: a Christian critique, de Ralph Rath (1990), discute os UFOs – e, como é típico nessa literatura, com extrema credulidade. Cumpre o seu propósito de aceitá-los como reais e de vilipendiá-los como instrumentos de Satã e do Anticristo, em vez de usar a lâmina do ceticismo científico. Essa ferramenta, uma vez afiada, faria mais do que apenas uma heresiotomia limitada.

Em seu best-seller religioso Planet Earth – 2000 A.D., Hal Lindsey, o autor fundamentalista cristão, escreve:

“Estou plenamente convencido de que os UFOs são reais […]. São operados por seres alienígenas de grande inteligência e poder […]. Acredito que esses seres não são apenas extraterrestres, mas têm origem sobrenatural. Para ser franco, acho que são demônios […] parte de uma trama satânica”.

E qual é a evidência para essa conclusão? São principalmente os versículos 11 e 12 de Lucas, capítulo 21, em que Jesus fala sobre “grandes sinais do Céu” – nada semelhante a um UFO é descrito – nos últimos dias. Tipicamente, Lindsey ignora o versículo 32 em que Jesus deixa bem claro que não está falando sobre o século XX, mas sobre o século I.

Há também uma tradição cristã segundo a qual a vida extraterrestre não pode existir. Em Christian News de 23 de maio de 1994, por exemplo, W. Gary Crampton, doutor em teologia, nos explica a razão:

“A Bíblia, explícita ou implicitamente, trata de todas as áreas da vida; ela nunca nos deixa sem resposta. Em nenhum trecho, a Bíblia afirma ou nega de forma declarada a vida extraterrestre inteligente. Implicitamente, entretanto, a Sagrada Escritura nega, sim, a existência desses seres, com isso também negando a possibilidade de discos voadores […]. A Sagrada Escritura considera a Terra o centro do universo […]. Segundo Pedro, um Salvador “saltando de planeta em planeta” está fora de cogitação. Eis uma resposta para a vida inteligente em outros planetas. Se esses seres existissem, quem os redimiria? Certamente não seria Cristo […]. As experiências que não se coadunam com os ensinamentos da Sagrada Escritura devem ser sempre rejeitadas como falaciosas. A Bíblia tem o monopólio da verdade”.

Mas muitas outras seitas cristãs – os católicos romanos, por exemplo – são completamente liberais, sem aprender objeções a priori contra alienígenas e UFOs e sem insistir na sua existência.

No começo dos anos 60, eu afirmava que as histórias de UFOs eram criadas principalmente para satisfazer desejos religiosos. Numa época em que a ciência tem complicado a adesão acrítica às religiões dos velhos tempos, é oferecida uma alternativa à hipótese de Deus. Vestidos com jargão científico, tendo os seus imensos poderes “explicados” por uma terminologia superficialmente científica, os deuses e os demônios de outrora descem do céu para nos assombrar, para oferecer visões proféticas e para nos tantalizar com visões de um futuro mais promissor: o nascimento de uma religião de mistério na era espacial.

O folclorista Thomas E. Bullard escreveu em 1989 que “os relatos de raptos por alienígenas parecem novas versões das velhas tradições de encontros sobrenaturais, com os alienígenas desempenhando os papéis funcionais de seres divinos”. Ele conclui:

“A ciência pode ter expulsado os fantasmas e as bruxas das nossas crenças, mas com igual rapidez preencheu o espaço vazio com alienígenas que desempenham as mesmas funções. Só os enfeites exteriores dos extraterrestres são novos. Todo o medo e todos os dramas psicológicos de lidar com o problema parecem simplesmente ter encontrado mais uma vez o seu lugar, constituindo como sempre a atividade do reino das lendas, onde as coisas explodem à noite”.

Será possível que pessoas de todas as épocas e lugares experimentem de vez em quando alucinações vívidas e realistas, de conteúdo quase sempre sexual, sobre raptos por criaturas estranhas, telepáticas e aéreas que desaparecem aos poucos pelas paredes – sendo os detalhes preenchidos pelos estilos culturais predominantes, sugados do Zeitgeist? Outras pessoas, que não viveram pessoalmente a experiência, acham-na perturbadoras e de certo modo familiar. Passam a história adiante. Logo ela adquire vida própria, inspiram outros a tentar compreender as suas próprias visões e alucinações, e entra no reino do folclore, do mito e da lenda. A conexão entre o conteúdo de alucinações espontâneas do lobo temporal e o paradigma do rapto por alienígenas é coerente com essa hipótese.

Quando é do conhecimento de todos que os deuses descem à Terra, nós talvez tenhamos alucinações com deuses; quando todos nós estamos familiarizados com demônios, aparecem os íncubos e os súcubos; quando os duendes são aceitos por toda parte, vemos duendes; numa era de espiritualismo, encontramos espíritos; e quando os antigos mitos se enfraquecem e começamos a pensar que os seres extraterrestres são plausíveis, é para eles que tendem as nossas imagens hipnagógicas.

Trechos de canções ou de línguas estrangeiras, imagens, acontecimentos que presenciamos, histórias que ouvimos por acaso na infância podem ser recordados com acuidade décadas mais tarde, sem nenhuma lembrança consciente de como entraram em nossas cabeças. “[N]as febres violentas, homens, de todo ignorantes, falaram em línguas antigas”, diz Herman Melville em Moby Dick; “e […] quando o mistério é sondado, sempre se descobre que, em suas infâncias totalmente esquecidas, essas línguas antigas tinham sido realmente faladas ao seu redor”. Em nossa vida diária, incorporamos sem esforço e inconscientemente normas culturais que transformamos em coisas nossas.

Uma absorção semelhante de temas está presente nas “alucinações de comandos” esquizofrênicas. Nesse caso, as pessoas sentem que uma figura mítica ou imponente lhes ordena o que fazer. Recebem ordens para assassinar um líder político ou um herói popular, para derrotar os invasores britânicos ou para causar danos a si mesmas, porque é o desejo de Deus, de Jesus, do Diabo, dos demônios, dos anjos ou – recentemente – dos alienígenas. O esquizofrênico fica paralisado pelo comando claro e poderoso de uma voz que ninguém mais consegue escutar, e que o sujeito deve identificar de alguma forma. Quem daria uma ordem dessas? Quem falaria dentro de nossas cabeças? A cultura em que fomos criados oferece uma resposta.

Pensem na força das imagens repetitivas na propaganda, especialmente para os espectadores e leitores sugestionáveis. Elas podem nos induzir a acreditar em quase tudo – até na idéia de que fumar cigarros é agradável. Em nossa época, os supostos alienígenas são o tema de inúmeras histórias, romances, dramas de TV e filmes de ficção científica. Os UFOs são uma presença regular nos tablóides semanais empenhados em falsificação e mistificação. Segundo a revista Set (apud Variety), ET é o filme de maior bilheteria na história do cinema. O filme de maior bilheteria de todos os tempos versa sobre alienígenas muito semelhantes aos descritos pelas vítimas de seqüestro. As histórias de rapto por alienígenas eram relativamente raras até 1975, quando uma crédula dramatização televisiva do caso Hill foi ao ar; outro salto para a notoriedade pública ocorreu depois de 1987, quando o pretenso relato em primeira mão de Streiber, com uma ilustração obcecante de um “alienígena” de olhos grandes na capa, se tornou best-seller. Em oposição, ultimamente ouvimos muito pouco a respeito de íncubos, gnomos e duendes. O que lhes aconteceu?

Longe de serem globais, as histórias de rapto por alienígenas são desapontadoramente locais. A imensa maioria emana da América do Norte. Mal transcendem a cultura norte-americana. Em outros países, são relatados alienígenas robôs, com cabeça de pássaro, com cabeça de inseto, semelhantes a répteis, loiros e de olhos azuis (os últimos, previsivelmente, no norte da Europa). A cada grupo de alienígenas é atribuído um comportamento diferente. Os fatores culturais desempenham, de forma nítida, um papel importante.

Muito antes de os termos “disco voador” ou “UFO” serem inventados, a ficção científica estava repleta de “homenzinhos verdes” e “monstros com olhos de inseto”. De alguma forma, seres pequenos e sem pêlos, com cabeças (e olhos) grandes, têm constituído o padrão de nossos alienígenas há bastante tempo. Era possível vê-los rotineiramente nas revistas sensacionalistas de ficção científica dos anos 20 e 30 (e, por exemplo, na ilustração de um marciano enviando mensagens de rádio para a Terra, no número de dezembro de 1937 da revista Short Wave and Television). Essa imagem remonta talvez à descrição de nossos descendentes distantes feita pelo pioneiro britânico da ficção científica, H.G. Wells. Ele afirmava que os seres humanos haviam evoluído de primatas que tinham cérebros menores, porém mais pêlos, com uma energia que superava em muito a dos acadêmicos vitorianos; extrapolando essa tendência para o futuro remoto, sugeria que nossos descendentes seriam quase desprovidos de pêlos, com imensas cabeças, embora mal pudessem se locomover sozinhos. Os seres avançados de outros mundos poderiam ter características parecidas.

O extraterrestre moderno típico, conforme relatado na América do Norte nos anos 80 e no início dos 90, é pequeno, com olhos e cabeça desproporcionalmente grandes, feições pouco desenvolvidas, sem sobrancelhas ou genitália, e com uma pele cinzenta lisa. Estranhamente, ele me lembra um feto mais ou menos na duodécima semana de gravidez ou uma criança faminta. Por que tantos de nós estariam obcecados por fetos ou crianças mal nutridas, e imaginando que eles nos atacam e manipulam sexualmente, é uma questão interessante.

Nos últimos anos, alienígenas diferentes do padrão cinzento têm aparecido com mais freqüência na América do Norte. O psicoterapeuta Richard Boylan, de Sacramento, diz:

“Há tipos de um metro a um metro e vinte de altura; tipos de um metro e meio a um metro e oitenta de altura; tipos de dois metros e dez a dois metros e quarenta de altura; tipos de três, quatro e cinco dedos, com enchimentos nas pontas ou ventosas de sucção; dedos com membrana interdigital ou não; grandes olhos amendoados inclinados para cima, para fora ou horizontalmente; em alguns casos, grandes olhos ovóides sem a inclinação amendoada; extraterrestres com pupilas rasgadas; outros tipos diferentes de corpo – o assim chamado tipo louva-a-deus, os tipos semelhantes a répteis… Há alguns de que ouço falar várias vezes. Com alguns relatos exóticos e de caso único, tendo a ser mais cauteloso, até obter um conjunto de histórias mais corroborativo”.

Apesar dessa aparente variedade de extraterrestres, a síndrome do rapto por UFO retrata, a meu ver, um Universo banal. A forma dos supostos alienígenas é marcada por um fracasso da imaginação e uma preocupação com interesses humanos. Nem um único ser apresentado em todas essas histórias é tão espantoso quanto seria uma cacatua para quem nunca tivesse contemplado um pássaro. Qualquer livro didático de protozoologia, bacteriologia ou micologia contém maravilhas que eclipsam as mais exóticas descrições das vítimas dos raptos por extraterrestres. Os que acreditam nesses relatos tomam os elementos comuns em suas histórias como sinais de verossimilhança, e não como prova de que as histórias foram construídas a partir de uma cultura e biologia partilhadas.

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