Teste de Turing e a “Sala Chinesa”

turing.gifEste teste foi inventado por Alan M. Turing (1912-1954) e descrito pela primeira vez em seu artigo de 1950. O arranjo básico para o teste inclui duas pessoas e a máquina a ser testada. Uma pessoa é um interrogador e a outra pessoa e o computador são os interrogados. O interrogador e os interrogados ficam em salas diferentes e portanto fisicamente separados. O interrogador pode apenas fazer perguntas utilizando um teclado (por exemplo um terminal de computador). Cada interrogado deve tentar convencer o interrogador de que ele é humano, e não a máquina. Turing sugeriu que o teste deveria durar aproximadamente cinco minutos, mas a duração precisa do teste é um pouco irrelevante.

Diz-se que a máquina passou no teste se o interrogador não pode diferenciar os interrogados, ou “chuta” qual dos interrogados é a máquina. A máquina não passa no teste caso o interrogador consiga identificá-la. A visão de Turing era que qualquer máquina que passa no teste deve ser considerada inteligente, ou mais precisamente, com a habilidade de “pensar”. Em outras palavras, Turing propôs que o teste é um critério adequado para avaliar inteligência artificial.

Muitos outros contestaram a validade do teste de Turing para avaliar inteligência, como Searle, com sua experiência mental da “sala chinesa” , primeiramente formulada em 1980 em seu artigo Minds, brains and programs, para combater a idéia de inteligência artificial “forte”, ou seja, que um computador adequadamente programado não é simplesmente uma simulação ou modelo de uma mente, mas sim uma mente de fato. Isto significa que o computador pensa, apresenta compreensão e estados cognitivos.

Suponha a existência de um computador que se comporta como se compreendesse a língua chinesa. Em outras palavras o computador toma como entrada símbolos em Chinês como entrada(pergunta), consulta um algoritmo e então produz outros símbolos em Chinês como saída (resposta). Suponha também que o computador executa essa função de maneira tão convincente, que passaria facilmente no teste de Turing, ou seja, seria capaz de convencer um nativo da língua chinesa de que ele também fala chinês, e o interrogador pensa que o computador é na realidade um outro chinês. Os defensores da IA(inteligência artificial) forte diriam que o computador realmente compreende o chinês, exatamente como uma pessoa.

Agora Searle nos pede para imaginá-lo no lugar do computador, ou seja, ele agora é quem recebe a entrada, e utilizando o algoritmo produz uma saída. Apesar de produzir a saída, Searle, que não fala chinês, não entende absolutamente nada. Então seu argumento é que, assim como ele, o computador não entende nem a entrada nem a saída, apesar de poder produzí-la. Eles são então apenas manipuladores não conscientes de símbolos. Por exemplo podemos supor que Searle, trancado dentro da sala chinesa, não tivesse sido alimentado por dois dias. Se lhe pedissem uma resposta para uma pergunta em chinês, como “Você quer comer um pato à Peking com rolinhos primavera?” , esta seria respondida por ele, sem a menor compreensão de seu significado, e com certeza sua boca não ficaria cheia de água!

O argumento de Searle é que, como não podemos encontrar onde se encontra a consciência responsável pelas respostas em chinês, tal consciência não existe. Porém há outros pontos de vista em relação a este argumento. Um deles é que o sistema Searle-algoritmo entende chinês, porém cada uma de suas partes em separado não. O contra argumento de Searle a esse respeito é que se o algoritimo fosse memorizado por ele, ainda assim ele não entenderia chinês.

Fonte: Turing e Searle

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