140 milhões é o número de mulheres que já foram submetidas a uma das práticas mais hediondas, e que representa um verdadeiro atentado à vida e saúde da mulher. A prática a que me refiro denomina-se Circuncisão Feminina, mais conhecida como Mutilação Genital Feminina – MGF. E a cada ano que passa, este número aumenta em 2 milhões.
Estima-se que esta tradição bárbara se pratique em cerca de 29 países do continente africano e em 3 do Médio Oriente. Contudo, esta prática expandiu-se também aos chamados países civilizados da Europa, onde é praticada no seio das pequenas comunidades emigrantes provenientes dos locais já referidos.
Nos países onde é praticada, a MGF é considerada um pré-requisito para as jovens mulheres contraírem matrimônio. Os homens recusam-se a casar com um mulher não-excisada, esta chega a ser considerada um híbrido de mulher. As mulheres vítimas da excisão têm o seu desejo sexual reduzido, daí que diminua também a promiscuidade sexual, a vida sem sexo chega a ser mais tolerável. A mutilação é, assim, uma segurança quanto à fidelidade da esposa e quanto à castidade da noiva (o que nem sempre é verdade).
A MGF é uma tradição baseada em conceitos errôneos. Existe a crença de que os órgãos genitais femininos são “impuros” ou “sujos” pelo que, só através da extirpação ficam purificados. Baseia-se também na ideia de que só o homem tem o direito de desfrutar do prazer sexual. Além de discriminatória, esta prática é extremamente perigosa, uma vez que não envolve quaisquer cuidados higiênicos. Os materiais usados não são esterilizados, muitas vezes estão enferrujados, e é comum a utilização dos mesmos instrumentos para varias excisões (o que poderá levar à propagação de doenças como, por exemplo, a AIDS). Entre esses instrumentos estão as facas, pedaços de vidros, lâminas, gêlo, pequenos troncos de árvore, espinhos, folhas e ervas. É, por isso, muito freqüente a ocorrência de infecções graves que, quando não levam à morte, provocam danos na saúde reprodutiva, nomeadamente, a infertilidade.
3 os tipos de mutilação genital:
Tipo I: Clitoridectomia ou sunna – Consiste na remoção do prepúcio do clítoris , pode também incluir a remoção completa do clítoris. Procedimento: o clítoris é seguro entre o dedo polegar e indicador, puxado para fora e amputado com um corte de um objeto afiado. O sangue é estancado através de gazes ou outras substâncias e é aplicado um curativo.
Tipo II: Excisão – Baseia-se na remoção do prepúcio e do clítoris com parcial ou total excisão dos pequenos lábios. Procedimento: a principal diferença neste tipo é gravidade do corte. Normalmente o clítoris é amputado e os pequenos lábios são removidos total ou parcialmente, muitas vezes com um mesmo golpe. O sangue é estancado com ligaduras ou com alguns pontos, que podem ou não cobrir parte da abertura vaginal.
Tipo III: Circuncisão faraônica ou infibulação – Consiste na remoção do prepúcio, do clítoris , dos pequenos e grandes lábios. Procedimento: Os grandes lábios são unidos através de pontos ou espinhos/picos e as pernas são atadas durante 2 a 6 semanas. É deixada uma pequena abertura para permitir a passagem de urina e sangue menstrual (tem normalmente 2-3 cm de diâmetro, mas pode chegar a ser tão pequena como a cabeça de um fósforo). Se depois da infibulação a posterior abertura for suficientemente grande, a mulher poderá ter relações sexuais depois da gradual dilatação, que pode demorar semanas, meses ou, em alguns casos, cerca de 2 anos. Se a abertura for demasiado pequena, tradicionalmente recorre-se à defibulação antes de se ter relações sexuais, normalmente efetuada pelo marido ou um parente feminino usando uma faca ou pedaço de vidro. Em quase todos os casos de infibulação, é necessário recorrer a defibulação durante o parto para permitir a saída do feto e, para tal, é essencial a ajuda de uma parteira pois podem ocorrer complicações para a mãe e/ou o feto.
Tradicionalmente, a re-infibulação é feita após a mulher dar à luz. Este procedimento visa criar a ilusão de virgindade, já que uma pequena abertura vaginal é culturalmente entendida como capaz de dar maior prazer ao homem. Devido aos cortes e suturas repetidos, as conseqüências físicas, sexuais e psicológicas da infibulação são maiores e mais duradouros do que os outros tipos de MGF .
Dentre todas as mulheres sujeitas à mutilação genital, 80 a 85% são vitimas dos tipos I e II, e as restantes 15 a 20% do tipo III.
Principais países onde se pratica a MGF:
Senegal, Egipto, Sudão, Etiópia, Siri Lanka, Somália, Malásia, Serra Leoa, Emirados Árabes Unidos, Índia, Iêmen , Indonésia, Omã, Guiné-Bissau, Nigéria, Uganda, Quênia, Tanzânia, Togo, Mauritânia, Gana, Congo, Benim, Camarões, Costa do Marfim, Chade, Gâmbia, Libéria, Mali.
Adaptado ao português brasileiro do blog Humanidade Desumana
Arquivado em: Ceticismo, Ceticismo na mídia, Comportamento, História, Literatura, Medicina, Mitos desmascarados, Mundo Louco, Opinião, Política, Religião

Estou sem palavras para o que acabei de ler.
A estupidez não encontra nada capaz de detê-la, grassa de forma avassaladora, entrou na genética de tal maneira que não há como encontrar no genoma a sua ‘extirpação total’.
Ainda estou para ver algo que mais tenha feito mal à humanidade do que os parâmetros da Crença, da Religião.
Desde que criados, meus espaços na WEB tisnam, queimam as patas de tais criaturas dadas ao horror-com-sorrisos ou ao endosso às manhãs-com-flores-espúrias.
Raro ver na WEB uma Página tão elegante, que sabe o que diz e, por isso mesmo, convida-nos a que a ela voltemos.
Um abraço.
Darlan M Cunha
Olá
Na minha opinião, tudo isso é de uma atrocidade sem tanhanho. Do texto, ressalto a seguinte parte:
Este procedimento visa criar a ilusão de virgindade, já que uma pequena abertura vaginal é culturalmente entendida como capaz de dar maior prazer ao homem.
No meu dicionário ‘homem’ tem significado BEM diverso do que este descrito, que não passam eles de animais, e dos mais perigosos.
O blog continua excelente.
Abraços!
É triste saber que isso aínda esta acontecendo em pleno Sec XXI.
Concordo que essa atitude seja uma atrocidade. Porém não podemos julgar tão errado assim. O que é feito é apenas um costume, uma tradição.
Em tribos endíginenas bebês que nasciam com deficiencia física era deixados sobre formigueiros para q sucombisse.
Essa era a tradição da tribo. Errada? Depende do ponto de vista.
No orinte(não lembro exatamente onde), as joves usavam sapatos (um pouco proximo ao tamanco) por mto anos, de forma que ocorria uma deformação nos pés. O motivo era: Mulheres com os pés pequenos eram mais lindas. Por isso mtas passavam uma parte da vida (adolecencia) sem tirar o sapato.
Tradição por tradição.
Abraços!
Se o canibalismo for adotado por alguma sociedade como ‘tradição’, o amiguinho aí apoiaria o comportamento?
Seria até o convidado principal.
Estive em Guine-Bissau Africa onde conheci muitas mulheres ,mas se voce quizer ajuda-las elas nao aceitam e dizem que nao praticxam mais o MGF.
Elas tem muito pudor quando se trata de assuntos relacionados a sexo,ou sexualidade delas.
Esta pratica tem que acabar , mas como todas as outras sao camufladas e feitas com concordancia das familias.
Totalmente um ponto de tristeza para estas mulheres que nao sabem que podem ter uma vida melhor em todos os sentidos.Humilhante
triste desumano prática não mencionada no corão, perpétuada pelas mulheres devido á ignorancia tão util aos homens desses paises. cruel e desnecessário, é preciso dar a conhecer esta prática ao mundo, só assim, aos poucos se pode lutar contra a mesma.
Acho um verdadeiro absurdo..que tradição é essa que apoia a DOR?…nem mesmo os animais tem essas atitudes, sem pé e nem cabeça…eles matam e morre com um intuito de sobrevivencia…cadeia alimentar e os homens é por prazer?..que mundo é esse?….peço que as fundações responsaveis pela qualidade de vida humana tenham conhecimento a respeito desses absurdos…como abolir essas atitudes.
As atrocidades maiores esta justamente nas tradições, pois quem executa tais atrocidades são as mães nas próprias filhas, assim como suas mães fizeram com elas… Ai esta como acabar com esse tipo de atrocidade que é mais cruel nas mentes do que no corpo????
Não acredito que isso seja cultura ou custume, mas uma coisa acredito que é biblico, o homem pra Deus têm uma natureza má, simplificando maligna!
É verdade. Já seu deus é um filho da puta, póis ele mesmo afirma que traz o mal e a desgraça.