Reciclagem de sucata eletrônica permite obtenção de matéria-prima nobre

Computadores, aparelhos de televisão, rádios e celulares carregam muito mais que utilidades e facilidades: quase todos os metais da tabela periódica podem ser encontrados em placas de circuito impresso que compõem equipamentos eletroeletrônicos em geral. Preocupado em impedir que esses metais retornem ao meio ambiente de forma inadequada, o engenheiro Hugo Marcelo Veit desenvolveu um processo inédito para reciclar sucatas eletrônicas, que envolve métodos mecânicos (magnéticos e eletrostáticos) e eletroquímicos. O trabalho foi realizado dentro do programa de pós-graduação em ciência dos materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“Das placas podemos obter, entre outros elementos químicos, estanho, níquel, ouro, paládio, alumínio, chumbo e, principalmente, cobre”, explica Veit. Segundo o pesquisador, de uma tonelada de sucata é possível reaproveitar 53 kg de cobre, propiciando uma economia relevante. “Além de recuperar cobre, que é um metal caro, impedimos, por meio da separação, que o chumbo contamine o ambiente”, completa.

O processo começa com a separação de materiais que contêm substâncias corrosivas, como baterias, e em seguida as placas passam por rotores dotados de facas de aço. A sucata é moída duas vezes até que todos os pedaços fiquem com menos de 1 mm. Segundo Veit, a moagem libera os metais – faz com que os materiais polímeros e cerâmicos deixem de envolvê-los. Depois o pó é peneirado para uma primeira separação, chamada de granulométrica. Em geral os metais são mais grossos que as outras substâncias.

Ferro e níquel são, então, retirados da mistura por meio magnético, e os polímeros e cerâmicos, por não serem condutores, acabam completamente separados no processo eletrostático. O passo seguinte é a dissolução dos metais em ácido sulfúrico para transformá-los em íons, aos quais é aplicada uma diferença de potencial capaz de provocar o depósito de um elemento específico, como, por exemplo, o cobre. Veit explica que cada metal tem um potencial elétrico característico. Portanto, a aplicação de uma corrente elétrica específica faz com que uma substância se deposite, enquanto as outras continuam em solução.

A solução é encerrada em uma espécie de caixa, na qual uma das paredes é um catodo (pólo negativo) e outra é um anodo (pólo positivo). Nesse caso, o catodo é uma chapa de cobre e, quando a solução é submetida a uma corrente elétrica, os íons de cobre se depositam na forma sólida sobre a chapa. O processo leva cerca de quatro ou cinco horas e até agora só foi feito em escala laboratorial.

Aplicação prática

A pesquisa provou que, com a reciclagem, é possível obter cobre com 99% de pureza, a um custo equivalente ao da retirada do cobre da natureza. O processo traz inegáveis benefícios para o ambiente, uma vez que reduz a necessidade de extração do cobre e retém no laboratório metais pesados como o chumbo, cuja dispersão na natureza é muito nociva.

Como o processo nunca foi aplicado em escala industrial, não é possível estimar suas vantagens econômicas. Segundo Veit, não existe uma legislação específica que obrigue as empresas a encontrar um destino adequado para esse tipo de sucata. Por isso a iniciativa privada não tem interesse em adotar o processo em seus laboratórios.

A pesquisa de doutorado de Veit – orientada pela engenheira Andrea Moura Bernardes, do Departamento de Materiais da UFRGS – foi premiada, na categoria Graduado, na última edição do Prêmio Jovem Cientista, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para o pesquisador, a premiação, em março passado, foi um grande estímulo para levar seu estudo adiante. Veit já tem em mente um novo projeto: ampliar a pesquisa para a reciclagem do produto inteiro e não só das placas. Seu próximo passo será estudar os telefones celulares.

Fonte: Ciência Hoje

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12 Respostas

  1. ola, essa materia e legal, acho que vai valer a pena

  2. Olá Bom dia.
    Gostaria de obter informações sobre a reciclagem eletronica, se é possivel eu montar uma empresa para esse fim e se os equipamentos para reciclagem estão disponivel no mercado, e onde encontrar ?
    Tem alguma empresa que já faz este serviço em São Paulo ? Me de mais informações pois tenho interece em montar uma reciclagem no interior de São Paulo
    Obrigado…….

  3. Não faço a menor idéia, companheiro.

  4. Boa Noite, gostaria de saber alguns detalhes á respeito do e-lixo. á quem posso dirigir-me aqui na UFRGS, ou e-mail para contato com o Eng.Veit, ou a Eng. Andrea.Agradeço .

  5. Não faço a menor idéia.

  6. tbm tenho emterece em apremder a reciclar eletronicos por favor como posso obiter maiores impormasoes

  7. Você devia se interessar em não escrever tão errado. Compre um dicionário primeiro e depois a gente conversa.

  8. Olá!
    Ultimamente venho pensando em desenvolver algum método alternativo de trabalho, do qual, tive um maior interesse no setor de reciclagem. estou tentando obter melhores informações à este ramo, e mais precisamente à reciclagem de eletrônicos. Disso então, gostaria de obter informações de como posso me proceder nessa nova batalha, como desenvolver esse método juntamente do trabalho, como adquirir o lixo eletrônico, como trabalhar em cima de sua classificação (separação) e como desenvolver (localizar) os clientes (compradores do material reciclado), ou até eu mesmo gerar esta transformação (reciclagem) desse material ou parte dele.
    Caso alguém tenha informações que me auxilie na prática desse trabalho e possa me fornecer, ficarei então muito grato.
    Até mais.

  9. Olá, tenho interesse na reciclagem do lixo eletrônico, gostaria de maiores informações!!!Obrigada,
    Rosangela

  10. Oi,
    Também tenho interesse em obter informações mais específicas quanto a real viabilidade de montar um negócio de reciclagem de eletrônicos, por gentileza se houver qualquer informação deste tipo gostaria de receber.

    Obrigada,
    Débora

  11. Andre ja trabalho com reciclagem porem e de polimeros reciclo em media 300 toneladas mes de pvc, por acaso li a materia e me enteressei gostaria de tentar uma parceria e entender melhor o processo pois tenho facilidade em adquirir sucata de eletronico para sua informaçao consigo em media 15 toneladas de produto mes (descarte de grandes empresas) se houver interesse da um oi no meu email.

  12. Que bom, só que eu não tenho nada com isso. Eu nem reciclo nada em casa.

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